Soluções para controlar a emissão de poluentes no transporte de cargas

Atualmente, o conceito sustentável para as empresas representa, no âmbito mercadológico, um fator de vantagem competitiva e de diferenciação, visto que, apesar da necessidade de reduzir a emissão de poluentes e buscar eficiência em fontes renováveis de energia, a maioria das organizações permanece inerte neste sentido.

A falsa ideia de aumento nos custos comumente relacionada à adoção de mecanismos de sustentabilidade contribui para um cenário cada vez mais caótico em relação aos índices de poluição provocados pelas organizações.

Movidas pela força da lei e da fiscalização, muitas empresas obrigam-se a se adequar para evitar multas ou embargos em seus processos produtivos. É importante lembrar que a legislação ambiental no Brasil é uma das mais completas e severas do mundo.

Na logística de transportes, a emissão de poluentes está presente fortemente na queima de combustível dos veículos, em especial do óleo diesel, que é o grande vilão desta história. O óleo diesel é o combustível mais poluente, já que, em sua composição, existe uma grande concentração de metais pesados, altamente nocivos ao organismo humano.

 

Mas como minimizar os impactos da poluição provocada pelos caminhões, se:

1. A produção brasileira, em sua maioria, é escoada por rodovias;

2. As condições das entradas são péssimas em todo o País e não há indícios de investimentos satisfatórios em outros modais;

3. Uma importante parcela da frota está sucateada e sem perspectiva de renovação, visto que os custos de transporte chegam a superar o valor do frete recebido por transportadores e autônomos.

 

É importante destacar que, além de refletir diretamente na emissão de gases poluentes, um caminhão antigo e sem manutenção contribui para a queda de produtividade e para o aumento do número de acidentes de trânsito, outra questão problemática do País.

O fato é que, por mais conscientes que estejam empresários e caminhoneiros da necessidade de implementar medidas mais sustentáveis, os altos custos operacionais e a falta de incentivos no setor inibem qualquer ação voltada ao controle de poluentes nos veículos.

Neste caso, a solução parece estar concentrada nas mãos do poder público, que precisa atuar com urgência em frentes como:

  1. Melhoria e fiscalização da qualidade dos combustíveis: combustíveis adulterados provocam prejuízos ao motor, desgaste de peças e aumento de consumo e da emissão de CO2;
  2. Aumento do biodiesel na composição do óleo diesel: já existe um percentual mínimo obrigatório e ele deve crescer nos próximos anos para potencializar o resultado ambiental, já que o biodiesel é um combustível renovável;
  3. Incentivos para renovação de frotas: como já citado, caminhões antigos e sem cuidados preventivos são altamente poluentes;
  4. Implementação de um sistema de transportes integrado: tornar o transporte menos dependente do modal rodoviário;
  5. Investimentos na malha viária: ampliar e investir na estrutura da circulação do trânsito.

 

Qualquer avanço nestes fatores já seria suficiente para transformar o cenário do transporte rodoviário de cargas que, além de atravessar uma das maiores crises que se tem registro, contribui diretamente para os altos níveis de poluição do País.

Contudo, esperar de braços cruzados não contribui em nada no processo de mudança. Pelo contrário. É fundamental a participação efetiva de transportadores, caminhoneiros, empresas embarcadoras e de cada um nós, enquanto gestores e consumidores da cadeia logística. Certamente, existem oportunidades ao nosso alcance e pequenas iniciativas podem refletir na sua operação e na sociedade como um todo.

 

Por Claudionei de Andrade, idealizador do blog Logística na Prática

 

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