Os gargalos no escoamento da produção agrícola

Ainda que o Brasil caminhe a passos largos para seus melhores resultados na produção de grãos, os gargalos logísticos e de infraestrutura continuam dificultando o escoamento da safra. Os problemas são bem conhecidos – dependência das rodovias, falta de investimentos nas ferrovias e hidrovias – e o alto custo do transporte segue sendo o principal obstáculo para aumentar a competitividade agrícola brasileira.

Além das ferrovias e hidrovias insuficientes, das estradas em péssimas condições, o Brasil lida ainda com portos defasados. Hoje, quase dois terços dos grãos exportados acabam nos portos de Santos e Paranaguá. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o restante é dividido entre 16 terminais, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

Como 55% dos grãos são movimentados por caminhão, o resultado dessa concentração – aliada ao despreparo logístico e à falta de bons acessos terrestres aos portos – são as longas filas de veículos no momento do descarregamento. O acumulo de carga parada causa problemas com as populações vizinhas e alto custo de manutenção do motorista e do caminhão parados.

A saída poderia ser o uso maior de ferrovias no transporte de cargas, mas esse modal (apesar das recentes promessas de investimentos) está extremamente defasado e não atende a maior parte das fronteiras agrícolas brasileiras. Além disso, mesmo com 35% dos grãos viajando de trem, o custo do frete não caiu para o produtor.

 

A história explica um pouco esse problema

O agronegócio nasceu e se desenvolveu no Sudeste e Sul do país. Porém, novas fronteiras agrícolas surgiram, ampliando a produção para o Centro-Oeste, Norte e Nordeste – regiões sem infraestrutura terrestre adequada e sem capacidade portuária para exportar os produtos. Neste cenário, uma produção cada vez maior continua sendo exportada por meio dos portos do Sul e do Sudeste, comprometendo a atividade no Brasil.

Com isso, os custos logísticos do produtor foram encarecendo. Hoje, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o valor pago para escoar a uma safra é, em média, quatro vezes maior do que o gasto pelos argentinos e norte-americanos.

 

Conheça os principais gargalos no escoamento da produção agrícola:

1 Falta de infraestrutura

As falhas no sistema de transportes e a falta de infraestrutura, desde a logística para o transporte de mercadorias até o acesso aos portos, impede que os produtos sejam escoados por rotas mais racionais.

Mesmo que o governo federal tenha lançado em 2015 um plano de concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, que prevê investimentos de R$ 198,4 bilhões para melhorar a infraestrutura de transportes no país – R$ 69,25 bilhões até 2018 e mais R$ 129,2 bilhões até o fim das concessões, de cerca de 30 anos, a situação continua difícil para os produtores.


2 Escassez de armazéns 

Assim como a questão do transporte, o armazenamento também é importante para compor um processo logístico eficaz. A produção agrícola brasileira sofre, justamente, com a falta de espaço para guardar a colheita e essa questão tem grande relevância para o produtor, pois evita perdas na produção. Sem uma capacidade adequada de armazenamento, os produtos que não são escoados em tempo são perdidos. Essas perdas estão diretamente ligadas ao custo final da mercadoria, que precisa ser elevado para que o produtor não perca em competitividade e no lucro final da safra.

No Brasil, não existe uma política de armazenamento da safra definida. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o déficit de capacidade de armazenagem chega a 53,729 milhões de toneladas para grãos. O Mato Grosso, por exemplo, a produção prevista para a safra 2014/2015 era de 51,203 milhões de toneladas. Mas o estado só tem capacidade para estocar 32,288 milhões. Ou seja, falta espaço adequado para guardar praticamente um terço de tudo o que é produzido.

Nesse cenário, o produtor fica dependente de armazenagem de terceiros (ainda insuficiente no Brasil) ou é forçado a escoar a maior parte da produção logo após a colheita, causando pressões sobre as rodovias, ferrovias e portos e um aumento sazonal no valor do frete.


3 Alto custo do frete

O custo do frete influencia diretamente no valor cobrado pelo produtor, já que, de alguma forma, a quantia investida no transporte dos produtos precisa retornar para que o produtor tenha lucro. Influenciado por vários fatores, como procura x demanda, custo do combustível e modal escolhido, o frete pode inviabilizar negócios ou até mesmo determinar escolhas menos racionais de escoamento.

Uma solução seria investir na multimodalidade para que a safra possa ser escoada por rotas mais racionais, otimizando o trajeto e os custos no tráfego da mercadoria, e em soluções de gestão de frete, como o TMS embarcador transpoFrete, que facilita o planejamento logístico.

Com o auxilio do transpoFrete os embarcadores podem reduzir os custos com a operação. Por meio do software, especialista em gestão de frete, eles passam a ter condições de gerenciar todo o ciclo de contratação de transportes, desde a cotação e a negociação das tabelas, passando pelos ciclos de coletas e entregas, até a liberação financeira e o respectivo pagamento pelo serviço. Assim, você facilita a integração entre processos e sistemas de embarcadores, fornecedores e transportadoras.

 

Gilson Chequeto
CEO e Diretor Comercial da transpoBrasil

 

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