Cuidado: entrega antecipada pode não ser sinal de eficiência

Por mais contraditório que possa parecer, uma entrega realizada antes do prazo pode gerar efeito reverso à satisfação do cliente. Entenda o porquê!

Inicialmente, é preciso compreender o conceito de eficiência (ou eficácia) de entrega sob o ponto de vista logístico, de forma resumida.

Embarcadores utilizam este indicador para medir o desempenho do transportador em relação ao cumprimento de prazos acordados na negociação. Nesse caso, é comum que as entregas sejam classificadas em três níveis:

  • Realizadas antes do prazo;
  • Realizadas no prazo;
  • Realizadas após o prazo.

Geralmente, as empresas contratantes de serviço de transporte determinam um percentual mínimo de atendimento para garantir qualidade e efetividade nas entregas junto a seus clientes. Ao transportador cabe cumprir com os prazos firmados de modo a atingir e, se possível, superar a meta estabelecida.

Em termos de análise de performance, as entregas antecipadas são contabilizadas positivamente, ou seja, não penalizam o transportador, pois não existindo atraso subentende-se que o prazo foi atendido regularmente.

No entanto, com a adoção deste critério, é importante considerar situações em que o transportador utiliza-se de um prazo dilatado para compensar eventuais “atrasos”. Por exemplo, vende-se um prazo de cinco dias, quando sempre é realizado em até três. Apesar de aparentemente não existir nenhum mal nisso, a entrega antecipada (de dois dias, neste caso) concede uma margem considerável ao transportador e compromete o diagnóstico do indicador.

Quanto menor a diferença entre o combinado e o realizado, melhor o resultado  

Pois bem, agora que a relação embarcador x transportador foi apresentada, é necessário analisar a entrega antecipada na perspectiva do consumidor final, o destinatário da carga.

Em geral, o processo de compra é baseado na necessidade de consumo imediato ou programado do bem adquirido. Sendo assim, é necessário que a entrega seja realizada nas mesmas condições, ou seja, que ocorra no momento planejado.

Uma prática eficaz para atendimentos cíclicos e entregas em grande escala é a do agendamento, onde se cumpre com todas as particularidades e exigências da operação, desde a coleta até a entrega programada.

Já em situações que não envolvem agendamento, apesar de toda a velocidade inerente à cadeia de suprimentos e a constante necessidade de se reduzir o ciclo do pedido, uma entrega antecipada pode representar ao destinatário, em determinados casos, um problema ao invés de uma solução.

Isso porque atividades essenciais da operação logística são impactadas pela chegada antecipada dos bens que sustentam o sistema produtivo, entre elas:

  1. Limitação do espaço físico de armazenagem;
  2. Indisponibilidade de equipe administrativa e operacional;
  3. Alteração na programação de recebimento;
  4. Atraso no processo de descarga;
  5. Incremento dos níveis de estoque e decorrentes custos de manutenção.

Para o embarcador, além de reflexos logísticos – transtornos com processo de devolução, custos de reentrega, avarias decorrentes de movimentação e transporte, etc. – demandas comerciais também podem ser afetadas, como prorrogação ou suspensão de novos pedidos, por exemplo, atuando diretamente sobre o faturamento.

Enfim, considerando a premissa da atividade logística que é prover o fluxo do ponto de origem ao consumidor final, com nível de serviço adequado a um custo competitivo, vimos que a antecipação de entrega, até então pouco observada, pode refletir em sérios prejuízos financeiros e de relacionamento com o seu cliente.  Vale a pena ficar atento

Por Claudionei Andrade, idealizador do blog Logística na Prática.

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